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Fundamentos · 25 minutos

Ellen White: Profetisa ou Problema?

O plágio, a circularidade e o preço da dissidência

"A maneira em que os escritos de sua mãe foram manejados, e a falsa impressão em relação com eles, que ainda é fomentada entre a gente, produziram-me grande perplexidade e prova. Parece-me que se praticou o que equivale a um engano."

— W.W. Prescott, ex-vice-presidente da Conferência Geral, carta ao filho de Ellen White, 1915 [1]

Por que este estudo é necessário

No percurso básico, abordamos Ellen White como parte da questão epistemológica mais ampla: quem tem autoridade para interpretar a Bíblia? Demonstramos que o adventismo, embora se apresente como defensor da Sola Scriptura, opera na prática com Ellen White como intérprete final. Agora é preciso ir mais fundo.

Não por gosto de polêmica. Mas porque a estrutura teológica do adventismo depende, de forma estrutural, dos escritos desta mulher. O Juízo Investigativo, a leitura historicista do Apocalipse, o sábado como selo escatológico, a identificação do papado com a besta, a marca da besta associada ao domingo: nenhuma dessas doutrinas se sustenta sem Ellen White. E se a fonte é comprometida, o edifício que nela se apoia precisa ser reexaminado.

Há ainda uma doutrina adventista menos conhecida fora do círculo interno, mas cristologicamente devastadora: a identificação de Jesus Cristo com Miguel, o Arcanjo. A doutrina está expressa em Ellen White, Patriarchs and Prophets, p. 761 ('Miguel, ou Cristo'), em The Desire of Ages, p. 99, e no Tratado de Teologia Adventista, pp. 167-169, onde se sustenta que as aparições de Miguel no Antigo Testamento (Dn 10,13.21; 12,1; Jd 1,9) são manifestações pré-encarnadas de Cristo. Não se trata de especulação marginal. É doutrina oficial. Essa identificação é necessária ao sistema profético adventista porque conecta Cristo diretamente às visões de Daniel e sustenta a cronologia sobre a qual repousa o Juízo Investigativo. Mas Judas 1,9 descreve Miguel como alguém que “não ousou” (ouk etólmēsen) proferir julgamento contra Satanás, invocando em vez disso a autoridade do Senhor. A Escritura, por contraste, apresenta Jesus como aquele a quem o Pai “entregou todo o julgamento” (Jo 5,22), que ordena a Satanás com autoridade própria (Mt 4,10) e diante de quem os demônios caem prostrados de terror (Mc 1,25-27; Lc 8,28). Identificar Cristo com um ser que não ousa julgar Satanás é rebaixar a divindade do Verbo ao nível de uma criatura, por mais excelsa que ela seja. É, em termos técnicos, uma forma sutil de subordinacionismo cristológico, a mesma tendência que a Igreja enfrentou e condenou nos primeiros séculos.

Faremos isso com seriedade, usando fontes primárias adventistas, testemunhos de líderes internos e documentação acadêmica. Não estamos atacando uma pessoa. Estamos examinando uma pretensão profética.

A circularidade hermenêutica

O problema mais elementar da relação entre a Bíblia e os escritos de Ellen White é lógico, não teológico. Trata-se de um círculo vicioso que foi identificado com precisão por Walter Rea, ex-pastor adventista:

"Usa-se a Bíblia para estabelecer se Ellen White é uma legítima mensageira de Deus. Uma vez que se estabelece que ela o é, dá-se a ela autoridade para dizer o que a Bíblia está realmente dizendo." [2]

O movimento lógico é este: primeiro, o adventista lê certos textos bíblicos e conclui que Deus levanta profetas em todas as épocas. Segundo, aplica esse princípio a Ellen White e conclui que ela é profetisa legítima. Terceiro, aceita as interpretações de Ellen White como guia para a leitura da Bíblia. E o círculo se fecha: a Bíblia valida Ellen White, e Ellen White interpreta a Bíblia.

Em qualquer disciplina do pensamento, essa estrutura é reconhecida como uma petição de princípio: o que se quer provar é usado como premissa da prova. O resultado é um sistema hermeticamente fechado, imune a refutação interna, porque qualquer objeção pode ser desqualificada com o argumento de que "Ellen White explicou de outra forma".

A posição oficial da denominação tenta evitar a acusação de circularidade. Nas Questions on Doctrine (1957), obra preparada por um "grupo representativo de dirigentes adventistas" [3], declarou-se que os escritos de Ellen White não são considerados adição ao cânon, não são de aplicação universal como a Bíblia, e são julgados pela Escritura, não o contrário. A publicação das Questions on Doctrine provocou, no entanto, uma cisão interna: M.L. Andreasen, um dos teólogos mais respeitados da denominação, denunciou a obra como capitulação doutrinária, argumentando que ela suavizava a posição adventista sobre a natureza de Cristo e sobre a expiação no santuário celestial. [4]

Mas a prática contradiz a teoria. A mesma denominação que publicou essas declarações, em 1980, na Conferência Geral de Dallas, elevou os escritos de Ellen White a nível normativo e excomungou Desmond Ford por sustentar a autoridade da Escritura acima da autoridade dela. A moderação de 1957 foi revogada na prática por 1980. O círculo que se tentou abrir voltou a se fechar. O fato de que a denominação não conseguiu manter sequer a posição moderada de 1957 ilustra a instabilidade teológica que caracteriza o tratamento de Ellen White.

O plágio documentado

Em 1982, Walter Rea publicou A Mentira Branca (The White Lie) [5], obra que documenta de forma extensa e meticulosa o plágio nos escritos de Ellen White. Rea não era um inimigo externo da denominação. Era pastor adventista há décadas, devotado à obra de Ellen White desde a juventude. Começou compilando seus escritos por admiração. E foi justamente ao compilá-los que começou a perceber a extensão das cópias.

A conclusão de Rea, sustentada por comparações textuais exaustivas: percentuais elevados de cópia sem crédito atravessam as principais obras de Ellen White. O Veltman Project (1980-1988), encomendado pela própria denominação, examinou The Desire of Ages capítulo por capítulo e concluiu que cerca de 31% do texto era derivado de fontes anteriores sem reconhecimento. Em outras obras (Sketches from the Life of Paul, The Great Controversy, Spirit of Prophecy), o percentual é estimado em valores ainda mais altos por Rea. Não se trata de paráfrases eventuais. Trata-se de palavras, orações, parágrafos e, em alguns casos, páginas inteiras reproduzidas literalmente de obras alheias.

Entre as fontes identificadas por Rea estão J.N. Andrews (History of the Sabbath), Daniel March (Night Scenes in the Bible), Merle d'Aubigné (History of the Reformation), Uriah Smith (The Sanctuary), John Harris (The Great Teacher), Conybeare e Howson (Life and Epistles of St. Paul), e o próprio Tiago White (Life Incidents), seu marido. [6]

O caso mais grave envolve precisamente Life Incidents, de Tiago White, publicado em 1868. Rea demonstra que o coração teológico de O Grande Conflito (The Great Controversy), obra central do cânon whiteano, foi copiado do livro de Tiago, que por sua vez copiara de Andrews e Smith. A cadeia é esta: Andrews e Smith publicam na Review (anos 1850); Tiago White os copia em Life Incidents (1868); Ellen White copia Tiago em The Spirit of Prophecy (1870-84) e depois em O Grande Conflito (1888). Tudo apresentado ao público como revelação divina.

Uma nota da Review and Herald de 1864, publicada sob a direção editorial dos White, dizia: "Plágio é uma palavra usada para significar roubo literário, ou seja, tomar as produções alheias e fazê-las passar como próprias. Estamos perfeitamente dispostos a que trechos da Review sejam publicados, mas tudo o que pedimos é que nos façam simples justiça dando-nos o devido crédito." A ironia é pesada: [7] a mesma definição que os White publicaram contra o plágio alheio descreve com exatidão o que Ellen praticava.

As reações internas

O que torna o caso ainda mais grave é que a liderança adventista sabia. Sabia e encobriu.

D.F. Delafield, fideicomissário vitalício do Ellen G. White Estate, escreveu em papel oficial da Conferência Geral que Ellen White "era canônica no que concerne à autoridade em interpretações doutrinais". A palavra canônica é dele. Não é exagero de críticos externos. É confissão interna, escrita em papel timbrado, invocando o nome do presidente da Conferência Geral como autoridade.

Fred Veltman, encarregado pela própria denominação de investigar as acusações de Rea, admitiu: "A evidência de Walter Rea e suas conclusões serão e são sumamente prejudiciais para a fé de nossa membresia em Ellen White." Edward Heppenstall, teólogo adventista respeitado, foi ainda mais direto: "O material de Walter terá um efeito devastador sobre a membresia da igreja. Muitas das respostas que se oferecem agora não são realmente satisfatórias." [8]

W.W. Prescott, ex-vice-presidente da Conferência Geral, escreveu em 1915 ao filho de Ellen White uma carta que permaneceu inédita por décadas: "A maneira em que os escritos de sua mãe foram manejados, e a falsa impressão em relação com eles, que ainda é fomentada entre a gente, produziram-me grande perplexidade e prova. Parece-me que se praticou o que equivale a um engano, e que não se fez nenhum esforço sério para desenganar as mentes."

O próprio Tiago White, em 1851, publicou na Review and Herald uma advertência que soa hoje como profecia involuntária: "A Palavra deveria estar à testa, e os olhos da igreja deveriam estar sobre ela, como a regra pela qual andar. Não está em liberdade de se voltar dela para aprender seu dever através de algum dos dons." A denominação acabou fazendo exatamente o que ele advertiu. [9]

O caso Desmond Ford

Em 1980, o teólogo australiano Desmond Ford foi convocado a uma reunião na Glacier View Ranch, Colorado, para responder por suas posições teológicas. O "pecado" de Ford era simples: ele sustentava a autoridade da Escritura acima da autoridade de Ellen White e questionava a doutrina do Juízo Investigativo de 1844, argumentando que ela não possuía fundamento bíblico sólido.

Ford não era um rebelde. Era um acadêmico respeitado, com décadas de serviço à denominação, que fizera exatamente o que o adventismo diz que se deve fazer: examinar as doutrinas à luz da Escritura. Mas quando o exame produziu resultados que contradiziam Ellen White, a denominação escolheu Ellen White.

Ford foi destituído de suas credenciais ministeriais. Sua carreira acadêmica dentro do adventismo foi encerrada. [10] E a Conferência Geral deixou claro, na prática, que qualquer teólogo que confrontasse Ellen White com a Escritura sofreria o mesmo destino.

O episódio de Glacier View é talvez o documento mais revelador do verdadeiro lugar que Ellen White ocupa no sistema adventista. A denominação pode dizer, em seus documentos oficiais, que a Bíblia está acima dos escritos proféticos. Mas quando foi obrigada a escolher, escolheu os escritos proféticos.

A visão de Enoque em Saturno

Há nos escritos de Ellen White episódios que, por si sós, levantam questões sérias sobre a credibilidade de suas visões. Um dos mais notáveis encontra-se em Early Writings (Primeiros Escritos), páginas 39-40, onde Ellen descreve uma visão na qual foi transportada a outros mundos. Nessa visão, ela relata ter visto Enoque, o patriarca bíblico que "andou com Deus e não foi mais visto, porque Deus o tomou" (Gn 5,24), habitando em outro planeta.

O psiquiatra William S. Sadler, amigo pessoal da família White e ancião da igreja, observou em 1923 um padrão revelador: "Não é raro que pessoas em transe cataléptico se imaginem que viajam a outros mundos." E acrescentou que essas pessoas "sempre veem visões em harmonia com suas próprias crenças teológicas". Sadler notou que uma médium que ele acompanhava, enquanto cria na imortalidade da alma, era guiada em suas visões por amigos mortos; quando mudou de crença para o "sono da alma", passou a ser guiada por anjos. A mudança de teologia alterou o conteúdo das visões.

Ora, a tradição adventista identifica o planeta visitado por Ellen White nessa visão como Saturno, com base na descrição dos anéis ("cinturões") que ela menciona. A ironia é de uma precisão quase cômica: o sábado, em inglês, é Saturday, palavra derivada diretamente de Saturn's Day, o dia de Saturno. A profetisa do sábado viu Enoque no planeta cujo nome dá origem ao nome do dia que ela considerava o mais santo da semana.

Mas a ironia vai além do etimológico. A análise da visão exige três níveis. Primeiro, o nível psicológico, Sadler, observador interno ao próprio adventismo, identificou um padrão recorrente em médiuns e visionários, as visões refletem as crenças teológicas prévias do visionário, não o contrário. Quem crê na imortalidade da alma vê parentes mortos. Quem crê no sono da alma vê anjos. A teologia precede a visão. Segundo, o nível linguístico-irônico, o planeta visitado é tradicionalmente identificado como Saturno pelos próprios adventistas, com base na descrição dos anéis. Saturday, em inglês, deriva de Saturn's Day. A profetisa do sábado contemplando o planeta cujo nome dá origem ao nome do dia que considerava o mais sagrado é coincidência cuja ironia o adventismo nunca metabolizou. Terceiro, o nível empírico, que registramos como complemento, a ciência contemporânea confirma que Saturno é um gigante gasoso, sem superfície sólida. "Habitar" Saturno em qualquer sentido literal é impossível. Se a visão for literal, falha empiricamente. Se for simbólica, ainda assim falha em (a) e (b).

Quando a profetisa contradiz a própria doutrina

Há outro episódio que merece atenção porque toca diretamente uma doutrina fundamental do adventismo: o estado dos mortos.

O adventismo ensina que a alma "dorme" na morte, permanecendo inconsciente até a ressurreição final. É uma de suas doutrinas mais conhecidas e mais defendidas. Pois bem: após a morte de Tiago White, em 1881, circularam relatos de que Ellen White teria tido experiências nas quais se comunicou, ou creu comunicar-se, com o espírito de seu marido falecido.

Se o relato é verdadeiro, a profetisa cuja palavra é tratada como canônica pela denominação contradisse, na prática, a doutrina que a mesma denominação considera fundamental. Se a alma dorme na morte, Tiago White não poderia ter-se comunicado com ninguém. Se houve comunicação, a alma não dorme. Nas duas hipóteses, o sistema se contradiz.

Esse tipo de tensão interna não é periférico. Ele revela a fragilidade de um edifício doutrinário construído sobre a autoridade de uma única pessoa, cujas experiências subjetivas são elevadas a estatuto de revelação divina sem critério de verificação externo.

O que isso muda

Alguém poderia perguntar: mesmo que Ellen White tenha copiado, mesmo que suas visões contenham elementos questionáveis, isso invalida a doutrina do sábado? A resposta precisa é: não necessariamente. Um argumento pode ser verdadeiro mesmo que seu defensor seja problemático. Mas o ponto é outro.

O adventismo não defende o sábado apenas com argumentos bíblicos. Defende-o com uma estrutura doutrinária específica que depende de Ellen White: o Juízo Investigativo como justificativa para a data de 1844; a identificação do sábado como "selo de Deus" e do domingo como "marca da besta" nos últimos dias; a leitura historicista do Apocalipse que coloca o papado como o poder anticristão. Nenhuma dessas peças existe sem Ellen White.

Se a autoridade de Ellen White é comprometida pelo plágio sistemático, pela circularidade lógica do sistema e pelos testemunhos internos de encobertamento, então as doutrinas que dependem exclusivamente dela ficam sem fundamento. Não porque sejam necessariamente falsas, mas porque perderam a única base que as sustentava.

E é aqui que a posição católica se mostra incomparavelmente mais sólida. A Igreja Católica não depende de um único profeta pós-apostólico. Depende da Escritura, da Tradição apostólica e do Magistério, três pilares testáveis, documentáveis e rastreáveis até o primeiro século. Se um teólogo católico errar, a doutrina permanece, porque ela não repousa sobre o teólogo, mas sobre a rocha de Pedro e a promessa de Cristo: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16,18).

O adventismo, ao concentrar sua identidade doutrinária nos escritos de uma mulher do século XIX cujas obras foram extensamente plagiadas e cuja autoridade foi consolidada contra a consciência de seus próprios líderes, colocou-se numa posição estruturalmente frágil. E a fragilidade não está nos fiéis sinceros que guardam o sábado com amor a Deus. Está no sistema que os instruiu.

Uma palavra de caridade

É preciso terminar como começamos: com honestidade e sem crueldade. Muitos adventistas nunca ouviram o que este estudo apresenta. Muitos, se ouvirem, sentirão dor. É natural. Descobrir que aquilo em que se confiava possui fragilidades sérias é sempre doloroso.

Mas a dor da verdade é preferível ao conforto da ilusão. E a verdade, quando acolhida com humildade, não destrói a fé. Ela a purifica. Porque a fé verdadeira não repousa sobre profetas humanos, por mais sinceros que sejam. Repousa sobre Cristo, Pedra angular, e sobre a Igreja que Ele fundou para guardar o depósito da fé até o fim dos tempos.

Se Ellen White é ou não profetisa, Deus sabe. Não nos compete emitir o juízo final sobre sua alma. Mas nos compete, por dever de consciência, examinar suas pretensões à luz da evidência. E a evidência, lida com honestidade, não favorece a pretensão.

O convite que fazemos ao leitor adventista não é de abandono, mas de aprofundamento. Examine as fontes por si mesmo. Leia Walter Rea. Leia as cartas de Prescott. Confronte O Grande Conflito com Life Incidents de Tiago White. E depois pergunte, com o coração aberto: onde está o fundamento mais seguro para a minha fé?

No próximo estudo, examinaremos o mecanismo que torna tão difícil, para o adventista sincero, avaliar estas evidências com liberdade: o circuito fechado de autoridade que protege o sistema de qualquer questionamento interno.

Fontes e Referências

  1. PRESCOTT, W.W. Carta a W.C. White, 6 de abril de 1915.
  2. REA, Walter T. The White Lie. Turlock, CA: M&R Publications, 1982.
  3. IASD. Questions on Doctrine. Washington: Review and Herald, 1957.
  4. ANDREASEN, M.L. Cartas aos líderes denominacionais (1957-1962).
  5. Fontes do plágio: ANDREWS (1862); MARCH (1868); D'AUBIGNÉ (1835-53); SMITH (1877); CONYBEARE & HOWSON (1854).
  6. WHITE, Tiago. Life Incidents (1868).
  7. Review and Herald, 1864: definição de plágio publicada sob direção dos White.
  8. DELAFIELD ("canônica"); VELTMAN ("prejudicial"); HEPPENSTALL ("não satisfatórias").
  9. WHITE, Tiago. Review and Herald, 1851.
  10. Glacier View, CO, agosto de 1980. FORD, Desmond. Daniel 8:14 and the Investigative Judgment. 1980. ➜ Próximo estudo: O Circuito FechadoVoltar ao Percurso Intermediário

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